Muitos dizem que assistir 13 Reasons Why pode tornar o suicídio algo lúdico, belo, romancista e tal.
Bom, essa série nem existia quando quase cometi um suicídio, então essa história não é sobre a série, é sobre as confusões que ocorrem dentro da minha mente e do meu coração. Nunca me achei uma boa filha, até pq meu pai sempre me colocava pra baixo, desde o dia que ele se tornou evangélico, nada que eu fizesse, era suficientemente bom para agradar, ele dizia que eu louvava mal, que ninguém sentia a presença de Deus, que eu deveria jejuar, me consagragar, me pressionava a ser aquilo que eu não pedi pra ser. Ele sempre foi a minha kriptonita, a única coisa que tem capacidade de literalmente fuder (desculpa o palavriado) com o meu psicológico. Quando tentei cometer o suicídio pela primeira vez, tinha 18 anos, minha vida ia mudar completamente de novo, quando eu tinha 7 anos, meus pais resolveram mudar pra Tijuca, para que o meu pai pudesse concluir os estudos e por ficar mais próximo do trabalho. Mas não satisfeito em acabar com a minha infância (me afastando dos meus melhores amigos naquela época), quando completei 18, tive que largar tudo novamente e voltar pra baixada e tudo por culpa dele de novo. Eu pude sentir minha juventude escapar entre meus dedos, me afastei de todos aqueles que prometi que seriam eternos na minha bosta de vida.
E então eu escrevi uma carta, sentei no chão do banheiro e fiquei encostando a ponta da faca no meu pulso, eu chorava pq no fundo, não queria magoar a minha mãe, eu desisti da primeira tentativa, pq imaginei como ela ficaria quando conseguisse abrir a porta e me encontrar morta, ela lutou tanto pra me ajudar a viver.
Recentemente, esse turbilhão de sentimentos voltou a surgir, meu pai tentava (ainda tenta), me estressar de todas as formas possíveis. Não tenho vontade de sair, prefiro ficar deitada na cama o dia todo, mas semana retrasada foi o ápice do meu estresse. Eu pude dizer olhando nos olhos da minha mãe que eu queria morrer, fiz um auto exame de mama e senti uma glândula crescendo lentamente, mas quando eu me estresso, ela dói. Bom por duas noites, dormi com um canivete ao lado da minha cama, fiquei me perguntando se uma morte rápida seria melhor ou devo esperar essa glândula (que não vou e nem pretendo fazer a quimioterapia, se for necessário), me matar. Eu não tenho mais um propósito de vida, tenho alguns amigos, mas zero vontade de socializar, eu tô simplesmente existindo, porém, sem nenhuma vontade de continuar lutando, forçar um sorriso em meio a dor, bom, isso é fácil, aos 25 anos, já sei contornar o que permito que as pessoas vejam, do que de fato está acontecendo. Por duas vezes, usei esse ponto e vírgula, mas não sei se haverá uma terceira chance.
sexta-feira, 18 de maio de 2018
Ponto e vírgula
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