segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Imprestável

Imprestável
Imprestável
Imprestável
Imprestável
Imprestável

Essa palavra saiu da boca da minha própria mãe, IMPRESTÁVEL por não querer ir buscar açaí com o meu pai.
5 minutos antes, enquanto ela comia o que preparei para comermos, eu não era imprestável, durante quase uma semana com o meu pai fora de casa, eu não era imprestável, enquanto a gente dividia o quarto pra ela não dormir sozinha, eu não era imprestável...

IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL

Essa maldita palavra está martelando na minha cabeça a mais de 24h, essa palavra desgraçou meu psicológico de uma forma que fazia tempo que eu não gritava de tanto chorar.

IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL

Às vezes me sinto um peso "morto" na Terra, maldito seja o dia que aceitei reencarnar, maldito seja o meu avô que me convenceu a vir pra "cuidar" da filha favorita dele.

IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL

A velhice é algo inevitável e a da minha mãe está chegando, não quero continuar aqui pra não ser a imprestável que cuida dela, a que inútil, que não serve pra porra nenhuma.

IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL
IMPRESTÁVEL

Infelizmente, vai ter que doer nela, eu vou seguir o meu caminho, nem que seja o da morte, mas ser chamada de imprestável novamente, isso eu não vou admitir.

sábado, 6 de novembro de 2021

o fim de um ciclo

Esse ano perdi fisicamente (não por morte), uma das pessoas que eu considerava ser importante e antes disso acontecer, eu pensava em como minha vida seria sem ele, a dor corroía minha alma como se estivesse acontecendo realmente, mas já era meu coração se preparando para o que estava por vir.
E quando o fato aconteceu e a nossa amizade acabou, fiquei uns dias sem comer, só queria dormir pra amenizar a dor, aquele vazio no coração que antes ele habitava. Por outro lado, a vida dele seguiu, bem plena por sinal e eu comecei a entender que só eu era amiga, só eu tinha colocado meu coração em xeque.

domingo, 3 de maio de 2020

até ela

As coisas não andam fáceis, ainda mais durante essa pandemia, andei me estressando novamente com o meu pai, na verdade, como ele pegou o Covid-19, passei a me isolar no quarto pra tentar manter a minha saúde em dia. Certo dia cheguei do banco bem tarde, depois de enfrentar oito horas e meia numa fila, quando entrei pro quarto, pouco tempo depois a minha mãe entrou com comida, meu pai discutiu com ela por isso e ao invés de bater de frente e me defender, ela simplesmente parou de trazer meu almoço/jantar, qualquer coisa pra me alimentar, a xícara de café, ela passa pela janela, escondido pra ele não ver e discutir de novo. Como tô respeitando esse isolamento, já tinha uns três dias que eu não comia, minhas pernas estão trêmulas, quase desmaiei anteontem quando fui ao mercado. Cada dia que passa, mais eu tenho certeza que não pertenço a essa encarnação, que tô fazendo hora extra e novamente, não fui suficientemente forte para acabar com a dor que está corroendo a minha alma.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O primeiro corte

Algumas semanas atrás, fui subir na van e acabei cortando a mão, não foi um corte superficial, mas também não foi tão profundo.
No decorrer dos dias, fiquei observando sua cicatrização e a minha vontade era de reforçar aquele corte, abrir novamente, como uma válvula de escape para os estresses que venho tendo.
Ninguém lê isso aqui, eu sei e isso é ótimo, pois me sinto mais leve.
Semana passada, novamente o meu pai falou algumas besteiras, dentre elas, que ia me mandar pra MG e trabalhar na roça com uma das minhas tias. Que se eu não saísse do quarto, ia entrar e quebrar a minha tv e o celular.
Que eu deveria obedecer a ordem dele e ficar na sala, como se eu tivesse obrigação de ficar olhando pra cara dele.
Eu dormi com um canivete debaixo do travesseiro, porque se ele entrasse e viesse pra cima de mim, eu o matava. E se ele continuasse me pressionando, eu me mataria.
E de novo, eu olhei pra minha mão, pra cicatriz do corte e parecia que ela tava abrindo, mas era coisa da minha cabeça. Como se fosse eu tivesse que colocar um ponto final em tudo.
Como se esperava, já que tô escrevendo aqui, é porque não consegui ir até o fim. Mas é como se a qualquer momento, um simples desabafo aqui, pode se tornar o último.

sábado, 21 de setembro de 2019

Câncer

Deveria ser apenas um signo.
Como signo, já é muito dramático.
Como doença, dramatiza ainda mais.

Desde pequena, sempre tive uma certeza: iria morrer antes dos 30.
Pessimismo? Não.
Simplesmente, vim com eterno "dèjá vu", parece que já vivi tudo que tá acontecendo agora, parece que já conheço todas as pessoas que surgem no meu caminho e sempre alerto a minha mãe sobre isso.
Sei em quem confiar e até onde posso confiar.
Dizem que é pq o meu signo é muito realista, mas não é isso, tem algo além, algo que só vou entender quando eu finalmente desencarnar.

Descobri há alguns anos atrás, um pequeno nódulo no meu seio, não tratei e ele aumentou, se penso em tratar, não, nem cogito isso.
Se alguém estiver lendo isso aqui, vai até me chamar de suicida, mas a real é que eu simplesmente aceitei meu destino. Se não penso nos outros? penso sim, mas chega um momento na vida que precisamos pensar mais em nós e tô aceitando que a minha hora chegou.

Talvez eu viva por mais alguns anos, talvez eu não esteja aqui durante a adolescência da minha sobrinha, talvez eu não veja meu melhor amigo se formar em jornalismo...talvez... talvez... talvez...

Eu vou estar em todos esses momentos, se não for fisicamente, será espiritualmente.
Não aguento mais assistir notícias sobre câncer, filmes com essa temática, ler notícias sobre esse tipo de assunto. Sei que a minha mãe tá sofrendo pq eu já disse que não vou fazer o tratamento, meus amigos tentam me convencer a lutar, mas é em vão. Pra quem já quase cometeu suicídio, uma doença nesse nível, é praticamente uma benção e é aquilo que já disse aqui, vivo um dia de cada vez e vai ser assim até o fim.

Não tenho medo da morte, muito pelo contrário, que ela venha e então eu consiga compreender o pq de tantas coisas que aconteceram na minha vida.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

é só um "até breve"

ah se eu pudesse voltar no tempo, certeza que essa garotinha teria sido muito mais feliz e não tão rabugenta kk
Ah se eu tivesse uma máquina do tempo, talvez eu não estivesse com a mente tão barulhenta.
Ah se eu pudesse, mas não posso, infelizmente os erros que cometi nessa vida só vão ser descontados na próxima, infelizmente não curti a vida da forma que deveria ter curtido, como a minha mãe diz, sempre tive a mente de uma pessoa que já viveu muito e de fato, nas vidas anteriores, devo ter vivido.
espero ter sido uma boa filha, uma boa irmã e pelo menos uma amiga razoável.

Não sei o que me espera no futuro, mas o presente não tem sido tão bom quanto imaginei.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ponto e vírgula

Muitos dizem que assistir 13 Reasons Why pode tornar o suicídio algo lúdico, belo, romancista e tal.
Bom, essa série nem existia quando quase cometi um suicídio, então essa história não é sobre a série, é sobre as confusões que ocorrem dentro da minha mente e do meu coração. Nunca me achei uma boa filha, até pq meu pai sempre me colocava pra baixo, desde o dia que ele se tornou evangélico, nada que eu fizesse, era suficientemente bom para agradar, ele dizia que eu louvava mal, que ninguém sentia a presença de Deus, que eu deveria jejuar, me consagragar, me pressionava a ser aquilo que eu não pedi pra ser. Ele sempre foi a minha kriptonita, a única coisa que tem capacidade de literalmente fuder (desculpa o palavriado) com o meu psicológico. Quando tentei cometer o suicídio pela primeira vez, tinha 18 anos, minha vida ia mudar completamente de novo, quando eu tinha 7 anos, meus pais resolveram mudar pra Tijuca, para que o meu pai pudesse concluir os estudos e por ficar mais próximo do trabalho. Mas não satisfeito em acabar com a minha infância (me afastando dos meus melhores amigos naquela época), quando completei 18, tive que largar tudo novamente e voltar pra baixada e tudo por culpa dele de novo. Eu pude sentir minha juventude escapar entre meus dedos, me afastei de todos aqueles que prometi que seriam eternos na minha bosta de vida.
E então eu escrevi uma carta, sentei no chão do banheiro e fiquei encostando a ponta da faca no meu pulso, eu chorava pq no fundo, não queria magoar a minha mãe, eu desisti da primeira tentativa, pq imaginei como ela ficaria quando conseguisse abrir a porta e me encontrar morta, ela lutou tanto pra me ajudar a viver.
Recentemente, esse turbilhão de sentimentos voltou a surgir, meu pai tentava (ainda tenta), me estressar de todas as formas possíveis. Não tenho vontade de sair, prefiro ficar deitada na cama o dia todo, mas semana retrasada foi o ápice do meu estresse. Eu pude dizer olhando nos olhos da minha mãe que eu queria morrer, fiz um auto exame de mama e senti uma glândula crescendo lentamente, mas quando eu me estresso, ela dói. Bom por duas noites, dormi com um canivete ao lado da minha cama, fiquei me perguntando se uma morte rápida seria melhor ou devo esperar essa glândula (que não vou e nem pretendo fazer a quimioterapia, se for necessário), me matar. Eu não tenho mais um propósito de vida, tenho alguns amigos, mas zero vontade de socializar, eu tô simplesmente existindo, porém, sem nenhuma vontade de continuar lutando, forçar um sorriso em meio a dor, bom, isso é fácil, aos 25 anos, já sei contornar o que permito que as pessoas vejam, do que de fato está acontecendo. Por duas vezes, usei esse ponto e vírgula, mas não sei se haverá uma terceira chance.