No decorrer dos dias, fiquei observando sua cicatrização e a minha vontade era de reforçar aquele corte, abrir novamente, como uma válvula de escape para os estresses que venho tendo.
Ninguém lê isso aqui, eu sei e isso é ótimo, pois me sinto mais leve.
Semana passada, novamente o meu pai falou algumas besteiras, dentre elas, que ia me mandar pra MG e trabalhar na roça com uma das minhas tias. Que se eu não saísse do quarto, ia entrar e quebrar a minha tv e o celular.
Que eu deveria obedecer a ordem dele e ficar na sala, como se eu tivesse obrigação de ficar olhando pra cara dele.
Eu dormi com um canivete debaixo do travesseiro, porque se ele entrasse e viesse pra cima de mim, eu o matava. E se ele continuasse me pressionando, eu me mataria.
E de novo, eu olhei pra minha mão, pra cicatriz do corte e parecia que ela tava abrindo, mas era coisa da minha cabeça. Como se fosse eu tivesse que colocar um ponto final em tudo.
Como se esperava, já que tô escrevendo aqui, é porque não consegui ir até o fim. Mas é como se a qualquer momento, um simples desabafo aqui, pode se tornar o último.
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